5 de abril de 2011

Desastre no Japão

Enquanto trabalhadores e soldados lutam diariamente para evitar um desastre nacional no Japão, surgem questões sobre a energia nuclear e a sua utilização. Depois de Chernobyl, pensariam muitos que não voltaria a acontecer um desastre nuclear, mas a crença em centrais seguras, regidas por normas de segurança muito apertadas e a desvalorização dos prazos de validade das próprias centrais nucleares, levaram a que um sismo, num país habituado a estes, pusesse em risco milhões de pessoas, causando o pânico um pouco por todo o mundo.


Comprova-se que a humanidade só muda os seus hábitos após a catástrofe, quando poderia ter evitado o desastre, pois, por exemplo, no caso em questão, bastaria ter encerrado a central atempadamente.

A energia nuclear sempre foi e será um tema que suscita muitas questões e opiniões contraditórias, visto que uma das primeiras imagens que temos de algo relacionado com o nuclear é a bomba atómica, precisamente largada pela primeira vez com o objectivo de causar dano no Japão. Desde então, ocorreram muitas modificações em relação ao destino a dar ao nuclear, que actualmente está mais virado para a vertente de produção de energia por meio do urânio ou do plutónio. O que mesmo assim serve de desculpa por parte de muitos países para a ocultação dos seus planos militares, que envolvem a produção da bomba atómica.

Durante alguns anos ocorreu a massificação da construção de centrais nucleares, por parte de alguns países, como foi o caso do Japão, da França, que está quase totalmente dependente do nuclear, e dos Estados Unidos da América, sem haver uma grande preocupação com as normas de segurança e os perigos derivados do nuclear. Mas foi em 1986 que ocorreu um acidente de grandes proporções, em Chernobyl, que veio mudar o rumo dos acontecimentos. Com a explosão de um reactor desta central, na actual Ucrânia, toda a Europa ficou sob a ameaça da radiação nuclear e das consequências a esta inerentes (cancro, malformações à nascença, entre outros). No entanto, passado alguns anos o acontecimento tornou-se mais remoto, sem representar mais perigo, o que levou os responsáveis pelas centrais a negligenciar um pouco a sua manutenção. Foi assim que no Japão e numa das primeiras centrais a ser aí construída, num país em que os terramotos são uma constante, ocorreu um acidente ainda não totalmente explicado embora não tendo atingido as dimensões de Chernobyl, que acrescido ao terror causado pelo terramoto, de magnitude 9.0 na escala de Richter, e de um tsunami que destruiu grande parte da zona costeira norte do Japão, já para não falar no grande número de perdas humanas, veio trazer algo que poderia ter sido evitado a tempo. Mais concretamente através do encerramento da central, que com a sua idade, já deveria ter acontecido há muito tempo ou a tomada de medidas no sentido de reforçar a sua estrutura.





Após o incidente no Japão, muitas pessoas importantes se mobilizaram no sentido de realizar vistorias a todas as centrais na Europa e certamente a muitas outras espalhadas pelo mundo, e caso estas não estejam nas condições de segurança necessárias, serão encerradas, garantem. Agora resta esperar para ver se fala mais alto o lucro, deixando em funcionamento todas as centrais existentes, ou a segurança dos países.


O nuclear em termos económicos e de emissões poluentes é bem mais favorável que a produção de energia a partir da queima do carvão ou do petróleo, mas em termos de riscos causados por acidente, não se compara, pelo que a sua implementação deve ser uma questão muito bem estudada. Será difícil implementar o nuclear, então agora depois dos acontecimentos dos últimos tempos, mesmo em Portugal, mesmo que existam alguns que defendam essa ideia. Até porque para quem não saiba, existe uma central nuclear em Espanha, a escassos 100 quilómetros da fronteira com Portugal, próxima do rio Tejo, importante rio português e como se sabe os perigos da energia nuclear não conhecem fronteiras. A nuvem nuclear proveniente de uma eventual explosão de um reactor chegaria com facilidade a todas as regiões do nosso país e não seriam portanto só os espanhóis a sofrer com o desastre. Por isso, não se pode dizer que esta seria uma opção a rejeitar, então num país que está quase totalmente dependente do exterior em termos energéticos.


Assim, pode-se dizer que o nuclear não é uma questão consensual e que é benéfico em termos de relação energia/custos, mas tem associado a ele eventuais catástrofes, bastante graves, ao nível do ambiente e das populações das regiões envolventes, pelo que esta não deve ser a energia do futuro, nem muito menos aquela em que se deve apostar nos próximos anos, dando maior relevo a outras, com maior potencial e ainda por desenvolver, como é o caso do hidrogénio. O que não implica a construção esporádica deste tipo de centrais, desde que se justifique e que sejam devidamente mantidas, sob as mais rígidas normas de segurança, de forma a evitar novos incidentes, tal como os de Chernobyl e mais recentemente de Fukushima, no Japão.

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